Esperança

Esperei por ti. Por toda noite. Por todo dia. Esperei porque disse que virias. Esperei mais do que queria. Esperei até a alma ficar fria. Esperei teus olhos. Esperei tua boca. Esperei teus seios. Esperei por tuas coxas. Te esperei de forma louca, insana, imaginando coisas profanas que faríamos na cama enquanto meu nome tu chamas. Esperei de um jeito ardente sonhando coisas indecentes que faríamos livremente da maneira que fazem os amantes. Esperei tua pele, esperei sua voz, esperei tu me contares o porquê da demora, o motivo do atraso que já faz mais de hora e a razão de teres ido embora sem a merecida despedida. Esperei por justificativas e em desespero pela falta de zelo, gritei teu nome e passei a maldizê-lo. Esperei que te ofendesses, e que me respondesse de imediato porque me deixastes um hiato, um vazio, um abismo no peito. Esperei até não ter mais jeito. Esperei até os bares fecharem e os cafés esfriarem e os homens voltarem para suas casas, cheirando a cachaça e tabaco. Esperei a luz se apagar.  Esperei até não mais poder te esperar. Esperei até sentir fome. Até morrer de sede. Até doer meus ossos.

 

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2 Comentários

Arquivado em cara estranho

2 Respostas para “Esperança

  1. Piti Canella

    nem sabia que vc era poeta e já gostava de vc. 😉

  2. claudio

    Cheguei aqui por acidente e “dei de cara” com este texto sensacional. Li outras coisas e gostei muito tb. Um abraço.

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