Comigo não (memórias de infância I)

Meu avô se chamava Brasil. Não era sobrenome ou apelido. Brasil mesmo. Brasil Figueira Rodrigues. Só depois de velho que me dei conta como isso era esquisito. Pensando bem, vovô também era estranho. E o pai dele mais ainda. Enfim, uma das coisas mais marcantes da minha infância eram os ditados e expressões do vô Brasil. Ele morreu com 82 aos, no final dos anos 80. Ou seja, foi um homem do século passado. Sua maneira de falar, obviamente, é bem diferente dos dias atuais. Não sei porque tenho lembrado delas. As suas palavras. Coisas do passado esquecidas há muito na minha cabecinha (ele me chamava de Rui Barbosa, devido ao meu crânio avantajado) que vêm à tona do nada. Comigo não, violão! Essa ele usava muito. E eu gostava muito. Achava engraçado aquele senhor calvo, de pele branquinha e orelhas de dumbo (vi poucas orelha maiores que do vô Brasil) levantar o dedo em riste e exclamar: Comigo não, violão. Eu sempre imaginava um violão à sua frente, fazendo algo reprovável, que levava meu avô à indignação.

Mais histórias do vô Brasil em breve.

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1 comentário

Arquivado em memórias

Uma resposta para “Comigo não (memórias de infância I)

  1. Anna Beatriz

    Já estou te falando o que achei por msn… Muito bom mesmo… Me surpreendeu!!! Crônicas pá nói!!! Beijo, parrrrrcero!!!!

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