Novembro 4, 2009...5:48 pm

Seu Antônio S/A

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Seu Antônio tem 40 anos, casado, é pai de quatro filhos e mora na Guanabara, um bairro popular de Ananindeua. Ele foi demitido da prefeitura da sua cidade, que é vizinha a Belém, no Pará. Sem emprego, seu Antônio está preocupado em como sustentar a sua família. Com a ajuda de alguns pastores, ele conseguiu uma bicicleta com cargueiro. De segunda mão. Depois de dois meses pedindo auxílio, ontem de noite o pastor lhe presenteou com sua nova ferramenta de trabalho.

Seu Antônio quer usar a bicicleta para vender lanches nas ruas. Metade do caminho já foi percorrido, mas ele precisa de uma lancheira e um isopor de 30L. Ele ourçou os utensílios na Belém Importados. A lancheira custa cerca de R$ 18,00 e o isopor, R$ 22,00. Com R$ 40,00, seu Antônio pretende entrar para o ramo da gastronomia e saciar os estômagos de outros trabalhadores como ele.  Coxinhas, unhas de caranguejo, enroladinhos e toda sorte de salgados ajudarão seu Antônio a tocar a vida com um pouco mais de dignidade.

Sem capital inicial, seu Antônio entrou no ônibus Djalma Dutra hoje, ao meio dia, e nos apresentou seu plano de negócios. O projeto não é ambicioso, mas oferece pouco risco e não exige altas quantias. Saquei da minha mochila duas moedas, investi R$1,00 no novo negócio do seu Antônio e assim me tornei acionista minoritário do empreendimento gastronômico. Como garantia, seu Antônio ofereceu seu esforço e suor do trabalho. Dei-me por satisfeito.

Espero que seu Antônio tenha retorno a curto prazo dos seus investimentos. Suas necessidades são urgentes e ele precisa de capital de giro para manter o negócio. Já eu posso esperar mais um pouco e vislumbro retorno a longo prazo. Em 10 anos, quero que minha ação tenha se valorizado bastante e que me renda bons lucros: que seu Antônio venda muitas coxinhas e assim possa sustentar seus filhos sem quem eles precisem deixar a escola para vender bala nos sinais; que ele consiga prosperar o suficiente para comprar uma loja e empregar uns dois ou três funcionários; e que nunca mais seu Antônio entre em um ônibus para esmolar.

Espero que daqui a 10 anos suas viagens no coletivo sejam apenas para levar a família ao parque.

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