Seu Antônio tem 40 anos, casado, é pai de quatro filhos e mora na Guanabara, um bairro popular de Ananindeua. Ele foi demitido da prefeitura da sua cidade, que é vizinha a Belém, no Pará. Sem emprego, seu Antônio está preocupado em como sustentar a sua família. Com a ajuda de alguns pastores, ele conseguiu uma bicicleta com cargueiro. De segunda mão. Depois de dois meses pedindo auxílio, ontem de noite o pastor lhe presenteou com sua nova ferramenta de trabalho.
Seu Antônio quer usar a bicicleta para vender lanches nas ruas. Metade do caminho já foi percorrido, mas ele precisa de uma lancheira e um isopor de 30L. Ele ourçou os utensílios na Belém Importados. A lancheira custa cerca de R$ 18,00 e o isopor, R$ 22,00. Com R$ 40,00, seu Antônio pretende entrar para o ramo da gastronomia e saciar os estômagos de outros trabalhadores como ele. Coxinhas, unhas de caranguejo, enroladinhos e toda sorte de salgados ajudarão seu Antônio a tocar a vida com um pouco mais de dignidade.
Sem capital inicial, seu Antônio entrou no ônibus Djalma Dutra hoje, ao meio dia, e nos apresentou seu plano de negócios. O projeto não é ambicioso, mas oferece pouco risco e não exige altas quantias. Saquei da minha mochila duas moedas, investi R$1,00 no novo negócio do seu Antônio e assim me tornei acionista minoritário do empreendimento gastronômico. Como garantia, seu Antônio ofereceu seu esforço e suor do trabalho. Dei-me por satisfeito.
Espero que seu Antônio tenha retorno a curto prazo dos seus investimentos. Suas necessidades são urgentes e ele precisa de capital de giro para manter o negócio. Já eu posso esperar mais um pouco e vislumbro retorno a longo prazo. Em 10 anos, quero que minha ação tenha se valorizado bastante e que me renda bons lucros: que seu Antônio venda muitas coxinhas e assim possa sustentar seus filhos sem quem eles precisem deixar a escola para vender bala nos sinais; que ele consiga prosperar o suficiente para comprar uma loja e empregar uns dois ou três funcionários; e que nunca mais seu Antônio entre em um ônibus para esmolar.
Espero que daqui a 10 anos suas viagens no coletivo sejam apenas para levar a família ao parque.





13 Comentários
Novembro 4, 2009 às 6:13 pm
Não é à toa que és um dos amores da minha vida…
Novembro 5, 2009 às 1:18 am
Adorei! Lindo ponto de vista!
Novembro 5, 2009 às 1:33 am
Foda.
Novembro 5, 2009 às 2:29 am
mtoo bomm… quero ler mais…
Novembro 5, 2009 às 6:47 am
Amo
Novembro 5, 2009 às 10:46 am
Que lindo texto… Fiquei emocionada.
Novembro 7, 2009 às 4:16 pm
Rapaz, quando você acerta a mão, acerta a mão mesmo. Na vida cotidiana, no olhar generoso e humano sobre ela e, depois, nos textos.
Novembro 7, 2009 às 4:24 pm
[...] “Seu Antônio S/A”, por Rodrigo Viellas By Rafael Fortes São Paulo, início de tarde de sábado, ainda meio zonzo de sono. Resolvo ver se alguns amigos andaram atualizando os blogues deles e esbarro com essa pérola (tenho usado bastante a palavra ultimamente, inclusive no texto que vai ao ar segunda de manhã no História(s) do Sport, “Jorge Ben e o surfe”) do Rodrigo Viellas, direto de Belém: Seu Antônio S/A. [...]
Novembro 7, 2009 às 4:33 pm
Vou cobrar a audiência, hein!
Novembro 9, 2009 às 3:48 am
Saudade que dói… tentei mandar mensagem para seu cel, mas não consigo! Como não tenho senha na redação, fico sem te ligar… triste fim! Quando eu comprar meu iphone sem limite de minutos, te pertubarei! rs
Te amo!
Beijunda!
Novembro 10, 2009 às 11:56 pm
Muito bom Jazzon!
Novembro 20, 2009 às 1:03 pm
DESEJO O MESMO A SEU ANTÔNIO.
BOA SORTE.
E BOM TRABALHO.
Novembro 26, 2009 às 1:34 am
Só para dizer que estou com saudades.
Beijos.
Quando será o novo post???