Sérgio Cabral Filho, o Mata-pobre, tem apoio da elite branca
Enquanto eu sigo escandalizado e inconformado com políticas de segurança pública adotadas pelo Estado do Rio de Janeiro, me surpreendo e decepciono com uma enquete promovida pelo O Globo, em sua versão digital.
O Terminator tupiniquim, Sérgio Cabral Filho, insiste em sua política de enfrentamento em incursões às periferias cariocas. Política de enfrentamento é apenas um termo camuflado para genocídio, truculência ou violência estatal contra cidadãos que já são massacrados diariamente pelo arroxo salarial, pelo preconceito de classes e pelo abandono do Estado Mínimo.
O capitão do mato José Mariano Beltrame endossa cada bala disparada a esmo por seus lacaios fardados nas favelas do Rio de Janeiro. Só se constrange quando seus cães mordem as canelas da Zona Sul e ele se vê obrigado a pedir desculpas perante as câmeras de TV.
A Mídia Gorda (termo que roubei do amigo Rafael Fortes, autor de A Lenda) ,por sua vez, teima em chamar os policiais de despreparados ou a ação de desastrosa, quando a tela dos televisores é manchada pelo sangue azul das vítimas da violência estatal e esquece que, diariamente, os homens da lei praticam tiro ao alvo nas zonas pobres. São mais que preparados para matar. As ações violentas, na verdade, são vitoriosas e merecedoras de medalha, caso os fuzis estejam apontados para os morros.
Mas o vilão desse bang-bang fluminense é a própria sociedade, que bate palma e comemora a cada cabeça rolando morro abaixo. Faz lembrar a Idade Média, quando a massa se amontoava nas praças para ver a execução das bruxas. A diferença é que hoje a elite branca, católica e abastada se reúne em volta da TV e das bancas de jornal para se mostrar solidária com o aparato cruel e repressor do estado. Só reclama quando pisam no seu calo. Mas se a pimenta é nos olhos dos outros, Terminator é herói.
Às vezes eu tenho vergonha de morar onde eu moro e de ler as coisas que leio por aí.
Mais de 38% dos leitores de O Globo, que representa a elite carioca, apoiam a política de enfrentamento adotada pelo maior genocida que o Rio de Janeiro já teve como governador.
“Sim, mas a polícia não pode atirar indiscrimidamente” quer dizer que pode atirar na favela, mas não no Leblon.






5 Comentários
Julho 29, 2008 às 3:59 pm
Como diria o próprio Rafael, não é “política de enfrentamento”, é “política de extermínio”. É por isso que eu não leio mais jornal. Toda vez que cismo em dar uma passada rápida pela capa, acabo me irritando e escrevendo no meu blog. A “mídia gorda” se tornou, para mim, inspiração às avessas.
Adorei o texto.
Beijão.
Julho 29, 2008 às 4:20 pm
Excelente texto, com uma mensagem direta e clara. Pena que pensamentos deste quilate não encontrem espaço na “Mídia Gorda” (a cada dia mais obesa).
Julho 30, 2008 às 5:14 pm
Excelente.
Julho 30, 2008 às 6:25 pm
Só pra constar: conheci o termo “mídia gorda” lendo o Milton Severiano na Caros Amigos.
Julho 31, 2008 às 2:42 pm
[...] “Mas o vilão desse bang-bang fluminense é a própria sociedade, que bate palma e comemora a cada ca…“ [...]