Novembro 4, 2009

Seu Antônio S/A

Seu Antônio tem 40 anos, casado, é pai de quatro filhos e mora na Guanabara, um bairro popular de Ananindeua. Ele foi demitido da prefeitura da sua cidade, que é vizinha a Belém, no Pará. Sem emprego, seu Antônio está preocupado em como sustentar a sua família. Com a ajuda de alguns pastores, ele conseguiu uma bicicleta com cargueiro. De segunda mão. Depois de dois meses pedindo auxílio, ontem de noite o pastor lhe presenteou com sua nova ferramenta de trabalho.

Seu Antônio quer usar a bicicleta para vender lanches nas ruas. Metade do caminho já foi percorrido, mas ele precisa de uma lancheira e um isopor de 30L. Ele ourçou os utensílios na Belém Importados. A lancheira custa cerca de R$ 18,00 e o isopor, R$ 22,00. Com R$ 40,00, seu Antônio pretende entrar para o ramo da gastronomia e saciar os estômagos de outros trabalhadores como ele.  Coxinhas, unhas de caranguejo, enroladinhos e toda sorte de salgados ajudarão seu Antônio a tocar a vida com um pouco mais de dignidade.

Sem capital inicial, seu Antônio entrou no ônibus Djalma Dutra hoje, ao meio dia, e nos apresentou seu plano de negócios. O projeto não é ambicioso, mas oferece pouco risco e não exige altas quantias. Saquei da minha mochila duas moedas, investi R$1,00 no novo negócio do seu Antônio e assim me tornei acionista minoritário do empreendimento gastronômico. Como garantia, seu Antônio ofereceu seu esforço e suor do trabalho. Dei-me por satisfeito.

Espero que seu Antônio tenha retorno a curto prazo dos seus investimentos. Suas necessidades são urgentes e ele precisa de capital de giro para manter o negócio. Já eu posso esperar mais um pouco e vislumbro retorno a longo prazo. Em 10 anos, quero que minha ação tenha se valorizado bastante e que me renda bons lucros: que seu Antônio venda muitas coxinhas e assim possa sustentar seus filhos sem quem eles precisem deixar a escola para vender bala nos sinais; que ele consiga prosperar o suficiente para comprar uma loja e empregar uns dois ou três funcionários; e que nunca mais seu Antônio entre em um ônibus para esmolar.

Espero que daqui a 10 anos suas viagens no coletivo sejam apenas para levar a família ao parque.

Outubro 18, 2009

Meu primeiro Círio

O  primeiro Círio a gente nunca esquece. Ainda mais vivido assim, bem de pertinho.  É uma festa bela, comovente, especial, mas que revela cenas de dor, sofrimento, superação, devoção, fé e entrega. Aliás, só a fé é capaz de justificar o que as pessoas passam na procissão, sobretudo na corda. Tenho dúvidas até se Jesus aguentaria esse martírio todo. =)

A festa, aos olhos virgens como os meus, é surpreendente e cheia de peculiaridades. Por exemplo, existe mais de uma imagem da Nossa Senhora de Nazaré. A que vai nas ruas é  a peregrina. Outra fica guardada num lugar chamado “glória”, dentro da basílica de Nazaré. E de lá só desce uma vez no ano. Justamente na época do círio. A peregrina, coitada, é que tem mais trabalho.  Fica guardada o ano todo no colégio Gentil. Aí no sábado que antecede a grande procissão (o círio acontece todo segundo domingo de outubro), a imagem vai para Ananindeua, cidade vizinha a Belém. De lá ela parte numa romaria rodoviária até o porto de Icoaraci, na capital paraense, mas longe do dentro. Do porto, a santinha peregrina segue na romaria fluvial até a “escadinha”, na estação das Docas, perto do centro de Belém. Ufa. Pensam que imagem tem sossego?  Mal desembarca e a Nazaré peregrina é seguida pela motoromaria até o colégio Gentil, onde fica na igreja do Carmo.  Sua aventura começou ainda de madrugada e se estendeu até o meio dia.

Nazaré descansa um pouquinho de tarde, mas no fim do dia já é solicitada novamente para abençoar os fiéis. Ela sai da igreja do Carmo e vai até a Catedral da Sé.  Esse movimento se chama transladação e leva um milhão de pessoas às ruas de Belém. Na Sé, “Nazica” tira um cochilo e logo é despertada por milhares de fiéis a sua espera.  Uma missa é rezada por arcebispos (esse ano tinha o Dom Zico e Dom Orany, dos que pude identificar) às 5h da manhã. Antes das 7h, a Virgem de Nazaré desce do andar e vai para perto do povo, carregada numa berlinda e cercada por guardas. Sim, guardas mesmos, com uniforme e tudo. São fiéis responsáveis não apenas pela segurança da imagem, mas também para garantir que a berlinda se mova diante de 2 milhões de pessoas. O número é exagerado, mas tem gente pra caramba nas ruas.

É a partir daí que começa o “pega pra capar”. Milhares de fiéis fazem questão de se conectar à santa através da corda. A berlinda segue até o começo da estação das docas, quando é engatada na corda. Bom, não é simples assim.Da catedral da Sé até o engate, é um pequeno trajeto, cerca de 500 m. A santinha leva aproximadamente uma hora para percorrer esse percurso. Quando chega ao momento de engatar, mais uns 20 minutos até conseguir prender a berlinda à corda. Sufoco total. Eu estava bem próximo do engate. Fui xingado e ameaçado por vários fiéis porque eu estava de tênis. É lei: não se pode estar calçado na corda. Explicação é simples: sacanagem pisar no pé dos outros. Tive que correr dali antes a multidão esquecesse o “não matarás” dos 10 mandamentos. Segui para o prédio da CDP, onde armaram uma arquibancada para que a governadora Ana Júlia e a ministra Dilma Russef contemplassem a procissão. Justo.

O problema é que o prédio da CDP fica numa esquina, logo a santa tem que fazer a curva. Imagine milhares de pessoas segurando uma corda e dobrando a esquina. Consegue visualizar? Pois é, é desesperador. A medida que a corda avançava, a multidãosaía pela tangente e era imprensada contra os tapumes da arquibancada. De repente, as pessoas pipocam do meio da corda e eram carregadas feito sacos de batata de mão em mão até serem resgatadas por bombeiros e voluntários na CDP. Obviamente que o portão do prédio estourou e centenas de pessoas entraram na “área vip” da procissão. Melhor assim. Ninguém ficou chateado. Nem os seguranças da governadora, nem os soldados do exército, nem mesmo Ana Júlia ou Dilma, que resgataram algumas crianças do tumulto. Uma tragédia foi evitada. Protocolo quebrado, mas todo mundo feliz. Esse foi o sufoco maior passado pela maioria das pessoas. O meu seria no fim da procissão.

Do prédio da CDP segui para a Avenida Nazaré e de lá vi cenas formidáveis. Senhoras chorando, jovens chorando, crianças de anjinho, adolescentes voluntários. Pessoas distribuindo água, pão, ajuda de todas as formas. É bizarro e lindo ver os devotos carregando toda espécie de pedidos sobre suas cabeças: pernas e braços de cera, casas de isopor, barquinhos de pesca, fotos de parentes. Alguns carregam uma cruz. Outros vão de joelhos. Cada um paga a sua promessa do jeito que pode. E também que não pode. Fácil ver pessoas passando mal. Mal alimentadas, cansadas e espremidas debaixo de um sol forte, centenas desmaiam, vomitam, despencam. Por sorte, o exército de voluntários é suficiente para amparar a todos.

Já no final da procissão, chegando na Basílica de Nazaré, outro tumulto se forma. O exército forma um cordão de isolamento no meio da rua e apenas a berlinda, os guardas de Nazica e pessoas credenciadas poderiam passar. Munido de dois crachás de imprensa, fui tentar argumentar com os soldados que eu tinha direito a entrar. Tolo. Mesmo que quisessem me deixar passar, não poderiam. Basta uma pequena fissura na cerca humana para jorrar devotos para as imediações da basílica. À medida que a peregrina se aproximava, meu aperto aumentava. Comecei a gritar para os soldados: “Imprensa! Imprensa!”, alardeando a minha procissão. Contudo acho que eles entenderam que era pra me imprensar. Vi a morte de perto. Fiquei entre os devotos cegos e sedentos de fé os soldados surdos e eficientes no cumprimento do dever. Senti meus órgãos internos se comprimirem. Faltou ar. Procurava em vão uma saída. De repente, uma breja. Um soldado vendo meu desespero abre os braços e me deixa passar. Estou a salvo. E assustado. Agradeço à Virgem de Nazaré por ter me deixado viver.

Isso é o Círio. Mas não é tudo. Ele começa bem antes e termina bem depois do segundo domingo de outubro. As ruas são tomadas por amarelo e branco. As lojas se enfeitam. As casas penduram cartazes de nazica. É o natal paraense. A cidade se movimenta. O trânsito se torna mais infernal. Comum ver pessoas do interior carregando patos vivos para serem servidos com tucupi após a procissão dominical. “Feliz Círio” é o que se ouve e vê em todos os lugares. Todos mesmos. Dia desses fui com um amigo conhecer o Locomotiva, lupanar mais famoso do Pará. Moças com poucos trajes desfilam para homens de pouca vergonha. O lugar, um grande cabaré, tem bolas e fitas amarelas e brancas em sua decoração. As putas também são devotas de Nossa Senhora de Nazaré.

Mais sobre o Círio:

cartaz círio

Vídeo sobre o Círio

Filhas da Chiquita

Outubro 13, 2009

Hiato de ideias

Longe daqui por muito tempo, mas não foi à toa. Estive envolvido em um projeto que não me tomou apenas tempo, mas também ideias.  Difícil escrever quando se tem apenas um assunto em mente. Não gosto de temas  monocromáticos.

Voltei.

Julho 8, 2009

Lúcio Flávio, o jornalista na agonia

O jornalista Lúcio Flávio, editor do Jornal Pessoal, recebeu um duro golpe essa semana: foi condenado a pagar R$ 30 mil à família Maiorana, os “Marinho” do no norte do país, devido a uma ação de calúnia e danos morais movida contra ele. Mais detalhes na carta abaixo, que foi publicada em diversos blogs aqui do Pará:

AO CARO LEITOR

Li com estupefação, perplexidade e indignação a sentença que ontem me impôs o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém do Pará. Ao fim da leitura da peça, perguntei-me se o magistrado tem realmente consciência do significado do poder que a sociedade lhe delegou para fazer justiça, arbitrando os conflitos, apurando a verdade e decidindo com base na lei, nas evidências e provas contidas nos autos judiciais, assim como no que é público e notório na vida social. Ou, abusando das prerrogativas que lhe foram conferidas para o exercício da tutela judicial, utiliza esse poder em benefício de uma das partes e em detrimento dos direitos da outra parte.
O juiz deliberou sobre uma ação cível de indenização por dano moral que contra mim foi proposta, em 2005, pelos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, donos da maior corporação de comunicação do norte do país, o Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão. O pretexto da ação foi um artigo que escrevi para um livro publicado na Itália e que reproduzi no meu Jornal Pessoal, em setembro daquele ano.
O magistrado acolheu integralmente a inicial dos autores. Disse que, no artigo, ofendi a memória do fundador do grupo de comunicação, Romulo Maiorana, já falecido, ao dizer que ele atuou como contrabandista em Belém na década de 50. Condenou-me a pagar aos dois irmãos indenização no valor de 30 mil reais, acrescida de juros e correção monetária, além de me impor o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados pelo máximo permitido na lei, de 20% sobre o valor da causa.
O juiz também me proibiu de utilizar em meu jornal “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”. Também terei que publicar a carta que os irmãos Maiorana me enviarem, no exercício do direito de resposta. Se não cumprir a determinação, pagarei multa de R$ 30 mil e incorrerei em crime de desobediência.
As penas aplicadas e as considerações feitas pelo juiz para justificá-las me atribuem delitos que não têm qualquer correspondência com os fatos, como demonstrarei.
O juiz alega na sua sentença que escrevi o artigo movido por um “sentimento de revanche” contra os irmãos Maiorana. Isto porque, “meses antes de tamanha inspiração”, me envolvi “em grave desentendimento” com eles.
O “grave desentendimento” foi a agressão que sofri, praticada por um dos irmãos, Ronaldo Maiorana. A agressão foi cometida por trás, dentro de um restaurante, onde eu almoçava com amigos, sem a menor possibilidade de defesa da minha parte, atacado de surpresa que fui. Ronaldo Maiorana teve ainda a cobertura de dois policiais militares, atuando como seus seguranças particulares. Agrediu-me e saiu, impune, como planejara. Minha única reação foi comunicar o fato em uma delegacia de polícia, sem a possibilidade de flagrante, porque o agressor se evadiu. Mas a deliberada agressão foi documentada pelas imagens de um celular, exibidas por emissora de televisão de Belém.
O artigo que escrevi me foi encomendado pelo jornalista Maurizio Chierici, para um livro publicado na Itália. Quando o livro saiu, reproduzi o texto no Jornal Pessoal, oito meses depois da agressão.
Diz o juiz que o texto possui “afirmações agressivas sobre a honra” de Romulo Maiorana pai, tendo o “intuito malévolo de achincalhar a honra alheia”, sendo uma “notícia injuriosa, difamatória e mentirosa”.
A leitura isenta da matéria, que, obviamente, o magistrado não fez, revela que se trata de um pequeno trecho inserido em um texto mais amplo, sobre as origens do império de comunicação formado por Romulo Maiorana. Antes de comprar uma empresa jornalística, desenvolvendo-a a partir de 1966, ele estivera envolvido em contrabando, prática comum no Pará até 1964. Esse fato é de conhecimento público, porque o contrabando fazia parte dos hábitos e costumes de uma região isolada por terra do restante do país. O jornal A Província do Pará, um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1876, se referiu várias vezes a esse passado em meio a uma polêmica com o empresário, travada em 1976.
Três anos antes, quando se habilitou à concessão de um canal de televisão em Belém, que viria a ser a TV Liberal, integrada à Rede Globo, Romulo Maiorana teve que usar quatro funcionários, assinando com eles um “contrato de gaveta” para que aparecessem como sendo os donos da empresa habilitada e se comprometendo a repassar-lhe de volta as suas ações quando fosse possível. O estratagema foi montado porque os órgãos de segurança do governo federal mantinham em seus arquivos restrições ao empresário, por sua vinculação ao contrabando, não permitindo que a concessão do canal de televisão lhe fosse destinado. Quando as restrições foram abolidas, a empresa foi registrada em nome de Romulo.
Os documentos comprobatórios dessa afirmação já foram juntados em juízo, nos processos onde os fatos foram usados pelos irmãos Maiorana como pretexto para algumas das 14 ações que propuseram contra mim depois da agressão, na evidente tentativa de inverter os pólos da situação: eu, de vítima, transmutado à condição de réu.
Todos os fatos que citei no artigo são verdadeiros e foram provados, inclusive com a juntada da ficha do SNI (Serviço Nacional de Informações), que, na época do regime militar, orientava as ações do governo. Logo, não há calúnia alguma, delito que diz respeito a atribuir falsamente a prática de crime a alguém.
Quanto ao ânimo do texto, é evidente também que se trata de mero relato jornalístico, uma informação lateral numa reconstituição histórica mais ampla. Não fiz nenhuma denúncia, por não se tratar de fato novo, nem esse era o aspecto central do artigo. Dele fez parte apenas para explicar por que a TV Liberal não esteve desde o início no nome de Romulo Maiorana pai, um fato inusitado e importante, a merecer registro.
O juiz justificou os 30 mil reais de indenização, com acréscimos outros, que podem elevar o valor para próximo de R$ 40 mil, dizendo que a “capacidade de pagamento” do meu jornal “é notória, porquanto se trata de periódico de grande aceitação pelo público, principalmente pela classe estudantil, o que lhe garante um bom lucro”.
Não há nos autos do processo nada, absolutamente nada para fundamentar as considerações do juiz, nem da parte dos autores da ação. O magistrado não buscou informações sobre a capacidade econômica do Jornal Pessoal, através do meio que fosse: quebra do meu sigilo bancário, informações da Receita Federal ou outra forma de apuração.
O público e notório é exatamente o oposto. Meu jornal nunca aceitou publicidade, que constitui, em média, 80% da fonte de faturamento de uma empresa jornalística. Sua receita é oriunda exclusivamente da sua venda avulsa. A tiragem do jornal sempre foi de 2 mil exemplares e seu preço de capa, há mais de 12 anos, é de 3 reais. Descontando-se as comissões do distribuidor e do vendedor (sobretudo bancas de revista), mais as perdas, cortesias e encalhes, que absorvem 60% do preço de capa, o retorno líquido é de R$ 1,20 por exemplar, ou receita bruta de R$ 2,4 mil por quinzena (que é a periodicidade do jornal). É com essa fortuna que enfrento as despesas operacionais do jornal, como o pagamento da gráfica, do ilustrador/diagramador, expedição, etc. O que sobra para mim, quando sobra, é quantia mais do que modesta.
Assim, o valor da indenização imposta pelo juiz equivale a um ano e meio de receita bruta do jornal. Aplicá-la significaria acabar com a publicação, o principal objetivo por trás dessas demandas judiciais a que sou submetido desde 1992.
Além de conceder a indenização requerida pelos autores para os supostos danos morais que teriam sofrido por causa da matéria, o juiz me proibiu de voltar a me referir não só ao pai dos irmãos Maiorana, mas a eles próprios, extrapolando dessa forma os parâmetros da própria ação. Aqui, a violação é nada menos do que à constituição do Brasil e ao estado democrático de direito vigente no país, que vedam a censura prévia. A ofensa se torna ainda mais grave e passa a ter amplitude nacional e internacional.
Finalmente, o magistrado me impõe acatar o direito de resposta dos irmãos Maiorana, direito que eles jamais exerceram. É do conhecimento público que o Jornal Pessoal publica – todas e por todo – as cartas que lhe são enviadas, mesmo quando ofensivas. Em outras ações, ofereci aos irmãos a publicação de qualquer carta que decidissem escrever sobre as causas, na íntegra. Desde que outra irmã iniciou essa perseguição judicial, em 1992, jamais esse oferecimento foi aceito pelos Maiorana. Por um motivo simples: eles sabem que não têm razão no que dizem, que a verdade está do meu lado. Não querem o debate público. Seu método consiste em circunscrever-me a autos judiciais e aplicar-me punição em circuito fechado.
Ao contrário do que diz o juiz Raimundo das Chagas, contrariando algo que é de pleno domínio público, o Jornal Pessoal não tem “bom lucro”. Infelizmente, se mantém com grandes dificuldades, por seus princípios e pelo que é. Mas dispõe de um grande capital, que o mantém vivo e prestigiado há quase 22 anos: é a sua credibilidade. Mesmo os que discordam do jornal ou o antagonizam, reconhecem que o JP só diz o que pode provar. Por assim se comportar desde o início, incomoda os poderosos e os que gostariam de manipular a opinião pública, conforme seus interesses pessoais e comerciais, provocando sua ira e sua represália. A nova condenação é mais uma dessas vinganças. Mas com o apoio da sociedade, o Jornal Pessoal sobreviverá a mais esta provação.
Belém, 7 de julho de 2009
Lúcio Flávio Pinto

O Jornal Pessoal é um veículo de comunicação independente, que não vende publicidade e se sustenta apenas com as vendas em banca. Ao custo de R$3 e com apenas  2 mil exemplares a cada 15 dias.  Punir o veículo com uma multa de R$ 30 mil é um absurdo.  Calá-lo com uma medida judicial me parece censura.

Tenho a impressão que Lúcio Flávio, o jornalista do Pará, está sendo confundido com seu homônimo, um bandido carioca que virou filme há algumas décadas.

Presto aqui a minha solidariedade a Lúcio Flávio e ao seu veículo de comunicação. Vida longa  ao Jornal Pessoal.

Julho 6, 2009

Fruto Sensual – Está no ar

Adoro as versões bregas para canções internacionais. Ganha um beijo quem souber o nome da música original.

Facín de ganhar beijo, hein?

O clipe é qualquer nota!

Julho 3, 2009

Ah… o verão….

Alterando todo o meu costume que vive nos últimos 31 anos, vivo meu primeiro verão no mês de julho. Caros, pra quem sempre viveu mais ao sul do país e se acostumou a sentir friozinho no meio do ano, passar este mês seminu é inusitado

Sim, amigos do Rio e Sampa, o verão no Pará é no mês de julho. Há 4 meses, quando me mudei para cá e me disseram que estávamos no inverno, eu ri. Afinal, a temperatura estava perto dos 30 °C todos os dias e achei difícil mudar de estação e sentir ainda mais calor. Mas nessa época(120 dias atrás) eu era um jovem tolo colonialista, que não imaginava o que estaria por vir em um futuro próximo.

Acordo suando. Durmo suando. Ando suando. Paro suando. Já nem me incomodo mais de viver molhado (sem gracinhas, por favor). É tão quente, tão quente, que chega a ser engraçado. O céu está super azul e o sol não brilha, mas grita e castiga a pele.

Como fenômeno turístico, a chega do verão também tem suas peculiaridades. Ele começa, oficialmente, no dia primeiro de julho. Sério. Tem data marcada. Não é como no Rio, que o verão vai acontecendo aos poucos e dura de novembro até o fim do carnaval.  Pelo que entendi até agora, no mês 7  é quando acontecem as festas nas praias, viagens familiares, eventos em cidades balneárias. Belém fica deserta  aos fins de semana. As baladas fecham na capital e se transferem para algum município de veraneiro durante esse período.

O Pará tem dimensões de um país. E guarda inúmeras riquezas desconhecidas da maioria dos brasileiros. Aqui há praias de Rio, como Alter do Chão e Mosqueiro (que são excelentes para o banho), mas também há praias de mar, como Algodoal e Salinas.

Quando eu digo praia de rio, é praia mesmo. Essa explicação pode parecer ridícula para quem mora por aqui, mas pro pessoal mais ao sul, onde os rios são do tamanho dos igarapés daqui, vale a ressalva.

Em Mosqueiro, há cerca de 2h de Belém, me surpreendi com o tamanho do rio e o fato dele ter onda. Sim, amigos, marolinhas em águas fluviais. Há surfistas que frequentam a ilha e garantem que em  alguns dias as ondulações chegam a quase 2 metros. Bizarro.

Alter do Chão, como já escrevi aqui, é  outra praia de rio encantadora. Um dos lugares mais mágicos que já fui na vida. Localizado em Santarém, o balnerário é encantador. Suas ilhas que emergem na época da seca transformam Alter do Chão na caribe amazônica. E não é exagero nã0.

Salinas é banhada pelo nosso querido oceano atlântico. É preciso andar 3h de carro até chegar à cidade. Distância pequena para o povo daqui. Salinópolis, nome oficial da cidade, é bem estruturada.  Tem rede de hotéis, restaurantes e festas nessa época do ano. Balneário da classe mais  abastada de Belém. Não chega a ser como Búzios, no Rio, e Guarujá, em sampa, mas tem uma galerinha com grana por lá.

A onda é ir de carro pra praia e estacionar na areia mesmo, pertinho do mar. Juro. Não é mentira. As fotos abaixo comprovam que tem até linha de ônibus na areia. Um tanto bizarro e over para quem quer mais contato com a natureza. Mas é uma alegria pra turminha que adora um carro com sonzão no porta-malas. Não gosto, mas quem sou para julgar hábitos estranhos…

Algodoal, pelo que ouvi dizer, é o oposto de Salinas. Na ilha, também banhada pelo atlântico,  não entra nem carro. As ruas são de areia de praia e o tranporte terrestre é feito por carroças, além da caminhada, claro. Das praias citadas, é a única que ainda não conheci. Mas isso deve mudar até o próximo dia 1o de julho.

Afinal é verão no norte e eu preciso aproveitar. Litros de protetor solar serão usados. Ao que tudo indica, de cerveja também.

Olha o busão ali na areia

Olha o busão ali na areia

Carros na praia

Carros na praia

Fim de tarde em Salinas

Fim de tarde em Salinas

Aproveitando o dia em Mosqueiro

Aproveitando o dia em Mosqueiro

Julho 3, 2009

Por aqui, de novo

Ausente por mais tempo do que gostaria aqui, mas a rotina de trabalho tem sido implacável com minhas horas livres. Some a isso casa nova, dias sem internet e viagens frequentes.

Temos um blog desatualizado. Mas agora vai.

Junho 1, 2009

Belém fora da Copa. Quem realmente perdeu?

O Brasil e o mundo perderam a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre esse estado encantador

Ontem cobri o que seria uma festa popular para comemorar a escolha de Belém como uma das cidades sede da Copa de 2014.

A praça da República estava lotada. Um trio elétrico tocava tecno brega antes do anúncio das 12 cidades. O clima era festivo, as pessoas estavam alegres e confiantes. Cada paraense tinha na ponta da língua os N motivos pelos quais Belém levava vantagem sobre Manaus na disputa pela cidade amazônica a abrigar jogos da Copa do Mundo.  “O nosso estádio está dentro dos requisitos da FIFA”; “Temos mais tradição no futebol”, “É mais fácil de se chegar a Belém”, “Nossa rede hoteleira é melhor” etc.

Mas, a meu ver, os belenenses ignoraram a ignorância. E esse foi o principal motivo por Manaus ter sido escolhida. Já explico.

Manaus não tem tradição no futebol. Será preciso demolir o Vivaldão e construir um novo estádio em seu lugar e o acesso à cidade é extremamente difícil, pois ela é encravada no meio da floresta amazônica. E esse foi o grande trunfo de Manaus.

Numa época em que a ecologia é pauta diária em todo o mundo, tendo a floresta amazônica como um dos principais assuntos, Manaus saiu na frente na disputa por simplesmente estar dentro de um estado chamado Amazonas. Pouca gente no Brasil, e acredito que quase ninguém no mundo, tem noção de que a floresta amazônica abrange estados como Pará, Maranhão e Mato Grosso. Se a ignorância é comum a nós brasileiros, imagine com os gringos, para quem a capital do nosso país é Bueno Aires.

Os critérios da FIFA não foram técnicos. Fosse de outra maneira, Belém e Goiânia estariam no lugar de Manaus e Cuiabá.  Há politicagem, grana alta envolvida e ignorância.

O trio elétrico transmitiu o áudio do anúncio das 12 cidades a todo volume.  O tradutor simultâneo explicou que as cidades viriam em ordem alfabética. Começou com Belo Horizonte. Pelo critério, Belém já estava fora, mas a grande massa na praça da República só se deu conta quando anunciaram a vizinha Manaus como a sede amazônica.  Houve um breve silêncio. Um leve protesto. Não vi choro. Não havia clima de derrota, apesar da frustração. Passados cinco minutos, a alegria e euforia tomaram conta novamente da praça, embalados pelo ritmo dançante do Arraial da Pavulagem.

Conheço pouco de Manaus. Conheço pouco de Belém, mas o suficiente para saber que aqui, a Copa estaria em boas mãos. Quem se lembra do treino da seleção brasileiro por aqui que lotou o Mangueirão? 50 mil assistindo a um simples treino.  O Brasil e o mundo perderam a chance de conhecer os encantos desse estado que a cada dia me conquista com suas belezas.  Carimbó,   brega,  maniçoba,  Ver-o-peso, açaí, cupuaçu, sorveteria Cairu, Cumbu, filhote, cerpinha, Mormaço, Icoaraci, lundu, castanha, morenas, chuva no meio da tarde.

Por aqui há um hino informal de uma banda chamada Mosaico de Ravena.  “Belém, Pará, Brasil” diz muita coisa sobre essa terra.

Belém Pará Brasil

(Mosaico De Ravena)

Vão destruir o Ver-o-Peso
Pra construir um Shopping Center
Vão derrubar o Palacete Pinho
Pra fazer um Condomínio
Coitada da Cidade Velha,
que foi vendida pra Hollywood,
pra se usada como albergue
no novo filme do Spielberg

Quem quiser venha ver
Mas só um de cada vez
Não queremos nossos jacarés tropeçando em vocês

A culpa é da mentalidade
Criada sobre a região
Por que é que tanta gente teme?
Norte não é com M
Nossos índios não comem ninguém
Agora é só Hambúrguer
Por que ninguém nos leva a sério ?
Só o nosso minério

Quem quiser venha ver
Mas só um de cada vez
Não queremos nossos jacarés tropeçando em vocês

Aqui a gente toma guaraná
Quando não tem Coca-Cola
Chega das coisas da terra
Que o que é bom vem lá de fora
Transformados até a alma
sem cultura e opinião
O nortista só queria fazer
parte da Nação

Ah! chega de malfeituras
Ah! chega de tristes rimas
Devolvam a nossa cultura!
Queremos o Norte lá em cima!
Por quê? Onde já se viu?
Isso é Belém!
Isso é Pará!
Isso é Brasil!

Maio 27, 2009

Série “Coisas de Belém”: a diferença entre cachorro-quente e hot-dog

O idioma não é o único fator que diferencia esses sanduíches na capital paraense

Dia desses fui ao Big Mengão, uma versão paraense do “podrão” carioca, mas que por aqui ganha certo profissionalismo. O BM tem até algumas franquias espalhadas pelas esquinas de Belém.  Vende-se o cardápio básico da larica pós-balada: sanduíches, sucos, refri e afins.

A variedade de sandubas é grande e há esquisitices como BIG LEITÃO e LEITÃO SPLIT, esse feito com banana e carne de porco.  Mas o que me surpreendeu de verdade no cardápio foi ver que há diferença entre entre cachorro-quente e hot-dog. E, amigos, acreditem, são sanduíches completamente diferentes.

Vamos às receitas. Cachorro-quente: pão de massa fina, com picadinho de carne e batata-palha. Hot-dog: pão massa fina, salsicha, alface, tomate e cebola.  A coisa piora quando se descobre que picadinho de carne é, na verdade, carne moída…

Achei que era uma particularidade do BM, mas, ao comentar a minha surpresa com os belenenses, eles é que se surpreenderam em saber que cachorro-quente e hot-dog são o mesmo sanduíche no resto do Brasil.

É nisso que dá viver em um país continental.

Big Mengão em Nazaré: sanduíches deliciosos e bom atendimento

Maio 18, 2009

Fortes amizades

A vida pode ser amarga como uma dose de Campari, mas há pessoas que a tornam doce como um copo de Coca-Cola.
Porque toda champagne tem seu dia de cidra.

Abril 21, 2009

O mau jornalismo

A imprensa no Brasil insiste em ser caluniosa, vil e elitista.

A chapa tá quente em Xinguara. A cidade que fica no sul do Pará, próxima a Marabá vive dias de violente conflito entre trabalhadores sem terra e milicianos da fazenda Espírito Santo, que pertence ao grupo Oportunity. Esse mesmo, do Daniel Dantas, condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa.

Desde fevereiro desse ano, cerca de 200 famílias estão acampadas nas proximidades da fazenda.  “Tratam-se de terras públicas,que pertencem ao Estado e nós queremos a desapropriação independente de ser de Daniel Dantas ou não”, declarou Charles Trocate, um dos coordenadores nacionais do MST, responsável pelas negociações com o Estado.

Há pouca coisa circulando na mídia nacional. E as chances de acontecer um massacre como o de Eldorado dos Carajás é grande. Ontem, cerca de 9 camponeses foram baleados pelos seguranças da fazenda. Na verdade, mílicias bancadas pelos grandes latifundiários.

Buscando informações aqui e ali na internet pra saber como está o conflito por lá vejo distorções e manipulações por parte da imprensa. No portal UOL, por exemplo, a chamada é “Veja imagens de troca de tiros em Xinguara”.  No entanto, quando se assiste o vídeo, o que se vê são milicianos armadors com pistolas e escopetas atirando em trabalhadores rurais que portam pedaços de pau. Troca de tiro é foda… pressupõe que ambos os lados estão disparando e não é o que acontece. Bala versus pau não é troca de tiro. Assista o vídeo.

A chamada distorce a situação real do conflito, em que trabalhadores que têm direito à terra são baleados por lacaios dos latifundiários.  E não sei por qual motivo, não policiais estaduais ou federais na região para impedir o confronto. Aliás, as imagens são claras e é possível reconhecer vários atiradores. Por que ainda não foram presos e acusados de tentativa de homicídio? Por que a imprensa não apresenta essas questões?

Navegando agora, 10:40h do dia 21 de abril, nos principais portais do país (Globo.com, UOL, Terra), apenas o UOL traz em sua página principal o conflito. E de forma tendenciosa. Mas nesses mesmos sites é possível encontrar fotos da Thatiana Pagung na praia, “notícia” do selinho entre Pedro Bial e Ana Maria Braga e uma reportagem sobre vandalismo na Grécia. A merda que está acontecendo no norte do país não tem destaque.

Só a omissão da imprensa já representaria o mal jornalismo. A distorção então dos fatos o coloca como mau mesmo.

Abril 20, 2009

Soja: em nome do progre$$o

Parte I

Parte II

Retrata os crimes dos fazendeiros produtores de soja no Pará, da multinacional norteamericana Cargill, que construiu um porto gigantesco sem autorização do governo federal nem estudo de impacto ambiental em Santarém – PA.

Por Greenpeace

Abril 18, 2009

Gosto ruim

Sinto um gosto amargo na boca. Um gosto que já experimentei muitas vezes. E que não é de Campari.  A derrota tem um gosto ruim. Pior que listerine. Muito pior que novalgina.

Entrava a língua. Embrulha o estômago. Consome as víceras.

Tenho sido derrotado sucessivamente. Devo ser bom nessa porra. Em ir pra lona. Em ser nocauteado. Se não fosse o gosto ruim na boca acho que nem ligaria mais para a derrota. Mas ele não me deixa esquecer.

Abril 17, 2009

Mataram irmã Dorothy

Dizem que por aqui morre uma “irmã Dorothy” por semana e que esse caso só ganhou notoriedade porque ela era gringa. Não duvido. O conflito agrário aqui é sério e pouca gente no país dá atenção, mas não deixa de ser louvável um filme trazer a tona essa problemática para todo o Brasil.

Aqui, nas TVs locais, há propaganda de pecuaristas dizendo que é preciso desmatar mesmo para o estado se desenvolver economicamente.

Abril 13, 2009

Bruce Lee é o cara!