Meias

Por ser um romântico incorrígivel, acreditava que um par de meias que se perde na confusão da máquina de lavar, acaba se encontrando novamente na gaveta do armário.

E se encontram, de fato.

Mas depois de conhecerem outras peças, depois de se misturarem com outras cores, depois de terem sido batidas, torcidas, lavadas, como será o reencontro?

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Castanhal recebe mais uma vez os shows do Conexão Vivo

Pela segunda vez o Conexão Vivo realiza, na Praça Estrela, dois dias de shows de graça que trazem desde os paraenses Madame Saatan ao baiano Pepeu Gomes

Seguindo a caravana de sucesso do Conexão Vivo, chegou a vez de Castanhal, a “cidade modelo” do Pará, ter duas noites de shows abertos ao público no palco da Praça da Estrela. Nos dias 23 e 24 de setembro, a partir das 19h, Castanhal receberá os shows de Elder Effe (Ataque Fantasma e Suzana Flag), do paranaense Deco Sampaio, de Marco André convidando Pepeu Gomes, da banda de heavy metal Madame Saatan, além das atrações locais Beto Froks e Banda e Jurandir. Quem também aparece por lá é a banda mineira Porcas Borboletas convidando o pernambucano Otto.

Os shows de Antônio e Comitiva (Toni Soares), Juca Culatra & Cristal Reggae e Adriana Cavalcante e Magrus Borges também estarão na programação de Castanhal, e fazem parte da Turnê a Nova Música da Amazônia, um projeto patrocinado e integrante da rede Conexão Vivo, uma iniciativa da Vivo com realização da Cria! Cultura e Ampli Criativa. É um projeto incentivado pela Lei Semear, com patrocínio do Governo do Estado, Secretaria de Cultura do Estado e Prefeitura de Castanhal.

Em agosto do ano passado, o Conexão Vivo aportou pela primeira vez em Castanhal e trouxe alguns dos shows mais memoráveis do programa no Pará, como as apresentações marcantes de Gaby Amarantos, Cérebro Eletrônico, Pedrinho Cavalero, João Erbetta e o La Pupuña, em sua última e mais marcante apresentação.

Os shows do Conexão Vivo no Pará continuam em Belém nos dias 27, 28, 29 e 30, encerrando o mês com uma programação especial em quatro dias com o melhor da nova música brasileira. Todos os eventos serão abertos ao público e terão programação especial, sempre contando com artistas da rede selecionados por edital nacional, convidados e shows exclusivos.

“A circulação de artistas e novos talentos, assim como a interiorização das nossas atividades, é um caminho seguido pelo Conexão Vivo desde os seus primórdios. As cidades do interior sempre fizeram parte da trajetória do programa que aposta nos princípios das redes e do compartilhamento entre profissionais do mercado cultural. Nossa proposta é favorecer meios para a articulação e a troca de conhecimentos”, explica Marcos Barreto, gerente de Desenvolvimento Cultural da Vivo.

Nascido em Belo Horizonte, o Conexão Vivo cresceu, ganhou espaço no país e hoje abrange projetos de todas as etapas da cadeia produtiva musical, fortalecendo, sobretudo, o cenário independente. A rede Conexão Vivo é uma iniciativa da operadora Vivo, dedicada ao desenvolvimento do setor produtivo da música e compartilha os propósitos e os desafios da interiorização e da circulação de novos nomes da música brasileira.

Em seus 11 anos de existência, o Conexão Vivo já realizou e incentivou a formação de mais de 1.500 atividades. Além dos shows, o programa contempla projetos de gravação de CDs e DVDs, circulação de artistas e turnês, mostras musicais, apoio a estúdios, programas de TV e rádio, propostas de pesquisa, formação e qualificação, além de um braço audiovisual, com foco na animação.

“Essa costura entre ações originárias do próprio programa e iniciativas associadas com foco na capacitação faz do Conexão Vivo a maior ação de fortalecimento da engrenagem da música já vista no país”, explica Kuru Lima, gestor nacional do programa.

CONEXÃO VIVO – CASTANHAL
Praça Estrela

Sexta-feira – 23 de setembro – 19h
Turnê Ná Music: Antônio e Comitiva (PA)
Elder Effe (Castanhal)
Deco Sampaio & Os Penetras (PR)
Marco André (PA) convida Pepeu Gomes (BA)
Madame Saatan convida Zé Mário (Gramofolks) (PA)

Sábado – 24 de setembro – 19h
Beto Froks e Banda (Castanhal)
Turnê Ná Music: Magrus Borges e Adriana Cavalcante (PA)
Jurandir (Castanhal)
Turnê Ná Music: Juca Culatra & Cristal Reggae convida Projeto Charmoso (PA)
Porcas Borboletas (MG) convida Otto (PE)

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Manda Bala

Um filme que não pode ser exibido no Brasil

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sofá não é latrina

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Junto e Misturado – técnicas revolucionárias de lavar sua roupa

Morar sozinho é uma arte que requer trabalho. Especialmente quando você não tem mais 20 anos e precisa de um pouco mais de dignidade na sua vida. Já com trintaetal, comida congelada e toalha molhada em cima da cama não me parecem mais coisas legais. Não sou exatamente o cara mais organizado do mundo, mas um pouco de ordem me faz bem. E ter ordem quando ninguém te dá ordens é difícil pra chuchu. Mas aos poucos eu fui conseguindo e estabelecendo métodos pra facilitar a minha vida.
Comecei aos vintepoucosanos a ensaiar deixar o ninho. Mais por necessidade do que por vontade. Com liberdade total em casa não era exatamente ruim morar sobre o mesmo teto dos meus pais. Casa, comida e roupa lavada de graça e sem esforço é encantador pra qualquer pessoa. Contudo pai e mãe moravam em cidade distante da faculdade, dos meus amigos da diversão, do trabalho. Então, bora bater asas e voar.
Morei em vários lugares, em diferentes bairros, em diversos tipos de habitação. Casa, apartamento, quartinho, estúdio de fotografia. A grana acabava eu eu voltava pra casa dos pais. O aula acabava e eu retornava ao ninho. Chegava ao fim do trabalho e lá estava eu com meus velhos. Pouco antes dos trinta eu alcei vôo definitivamente e nunca mais voltei para debaixo das asas de papai e mamãe.
Na maior parte do tempo é ótimo morar sozinho, mas às vezes é cansativo. Ter que cuidar de tudo demanda tempo e responsabilidade. Pagar contas, fazer comida, arrumar a casa, lavar roupa… tem horas que tenho vontade de morar num hotel só pra não ter que fazer nada disso. Mas, como já disse, fui encontrando métodos para se viver mais facilmente sozinho. Me considero especialmente bom em lavar roupas!
Bom, primeiro é preciso ter uma máquina de lavar. E não pensem que só por ter o eletrodoméstico que a tarefa está realizada. Ao longo dos anos eu fui resolvendo uma série de problemas que dificultavam ter minhas roupas limpas. Explico.
Mamãe, dona de casa típica, me ensinou muitas coisas. Mas também criou paradigmas difíceis de serem quebrados. Por exemplo, não misturar roupas brancas com roupas coloridas. Pra ela era mole, que tinha roupas pra lavar minhas, do meu pai, irmãos e da própria. Nunca faltava roupa branca e colorida para encher a máquina em diferentes lavagens. Agora eu, durante muito tempo, tive que esperar semana inteira pra uma carga só de roupas brancas. Ou coloridas. Ou o contrário. Ter que levar roupa dia sim, dia não com poucas peças na máquina para ter mais opções no meu armário. Um saco. Ainda mais pra quem trabalha e tem pouco tempo para cuidar do lar.
Um dia acordei e tive uma visão clara e revolucionária que mudaria pra sempre o meu mundo. Olhei para o cesto de roupas sujas, para a máquina de lavar, para o o branco, para o colorido e imaginei o universo todo conectado. Nesse momento eu acreditei nas mensagens de propaganda de sabão em pó, cri evolução da indústria têxtil e confiei na minha intuição. Joguei tudo na máquina de lavar e bati, ao mesmo tempo, roupas brancas, com coloridas e pretas. Um mundo maravilhoso se iniciou naquele dia, um mundo utópico, sem preconceitos de cor, em que peças brancas, pretas, amarelas, azuis e verdes convivem harmonicamente na máquina de lavar e dividem a mesma vista no varal. Todo mundo junto e misturado.
Depois da primeira revolução, outras se sucederam. Num outro momento de praticidade extrema, resolvi usar o cabide para pendurar minhas camisetas no varal. Assim, eu eliminava vários trâmites, como ter que usar pregador e passar as roupas. Agora elas vão direto do varal para o armário. Creio fielmente na ideia de que não é preciso passar camisetas e calças jeans (meias e cuecas sempre estiveram fora de cogitação). Elas se autodesamarrotam no corpo, em poucos minutos. É o curso natural das coisas. É o fluxo universal aplicado à vestimenta.
Essa semana iniciei mais uma revolução, ou melhor, evolução no processo de ter suas roupas limpas e cheirosas no armário com o menor esforço. Morando em Belém há dois anos, nunca pude imaginar que seria possível esta cidade ficar mais úmida, mas eis que o atual inverno paraense quase me obriga a ter guelras para respirar. Minhas roupas estavam demorando dois dias para secarem e muitas deselvoram aquele odor de cachorro molhado. Caído pra caralho isso. Então, desde a semana passada introduzi uma nova tecnologia para secar minhas roupas. Uso o ventilador para encurtar o tempo de secagem das peças. É incrível, mas em algumas horas está tudo seco, pronto pra ir pro armário.
Alguns poderão criticar meus métodos pouco hortodoxos, mas a humanidade só caminha assim, com attitudes que mudam o mundo ao seu redor! =)

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A rede social e a professora cega

Essa semana assisti REDE SOCIAL na telona. O filme conta a história do Facebook e seu criador. Nas entrelinhas, ideias reaproveitadas e transposição da vida real para a virtual geraram um bilionário. A empresa .com de Mark Zuckerberg é avaliada em 25 bilhões de dólares. O rapaz nem teve uma ideia tão genial quanto a luz elétrica, mas soube aproveitar as oportunidades e a tecnologia de seu tempo. O maluco tem hoje apenas 26 anos e certamente seus filhos vindouros não precisarão vender bala no sinal.

A biografia desse jovem me lembrou um caso de quando estava na faculdade. Era 1998 e internet engatinhava, ainda mais no Brasil.

Eu e meus amigos Rafael Fortes e Ricardo Jacomo cursávamos uma mesma disciplina que eu não lembro exatamente qual era. O importante é que um dos trabalhos de conclusão de semestre da matéria em questão era apresentar um projeto de um veículo de comunicação.

Éramos jovens, gostavamos de música e viajar. Recém libertos das amarras paternais da adolescência, nada era mais legal que conhecer outros estados, cidades e se possível ainda assistir a um bom show. Mas era difícil saber os shows que iam rolar em outra cidade. Bingo! Por que não criar uma agenda de shows online, com resenhas de cds e críticas de apresentações das bandas que mais curtíamos? Foi essa nossa ideia para o novo veículo.

Criamos o projeto, layout da página e o sistema de funcionamento, que incluía a venda de ingressos. Tudo bem que não tínhamos a menor ideia de como isso funcionaria, já que o tal comércio eletrônico nem existia na época. Mas o que importava é que a ideia era nova. E boa! Imagina o que era pra jovens jornalistas viajar, escrever sobre shows e ainda ganhar dinheiro com isso! Pena que a nossa professora pensava o contrário….

Sônia, se bem me lembro, detonou o projeto. Disse que era ruim, que nunca funcionaria e que as pessoas não se interessariam. Queria que ela falasse isso hoje olhando nos meus olhos enquanto choro vendo sites como a ticketmaster.com.br e ingresso.com.br enriquecerem seus criadores. Só pra ter uma ideia a ticketmaster, que é a maior empresa de vendas de ingressos no mundo, começou a vender entradas via internet apenas em 1996, nos EUA e para eventos muito específicos, mas ligados ao esporte. Sua chegada ao Brasil e América Latina só se deu no ano de 2001.

Nosso projeto é de 1998. Primeiro semestre. Teve uma avaliação regular. Os 3 se formaram. Ninguém enriqueceu. Nem teve mais ideias geniais. Rafael e Jacomo já escreveram livros. Eu sequer plantei uma árvore.

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De bicicletinha

Na eterna dúvida entre casar e comprar uma bicicleta, optei pela segunda opção. Não que seja avesso a casamento, mas pedalar pela cidade me pareceu mais viável no momento que constituir família. Aliás, a cidade em questão é Belém do Pará, que tem suas vantagens e desvantagens para quem quer usar a “magrela” como meio de transporte e não apenas como lazer.

Belém é uma cidade plana. Não há ladeiras, morros, depressões ou coisa parecida. Fácil, fácil de pedalar sem fazer muito esforço. Quando morava em Sampa sofria com as ladeiras no trajeto casa-trabalho-casa. Descer a av. Rebouças era moleza, foda era voltar pra casa no fim do dia. Praticamente uns 20 minutos pedalando morro acima. Aqui na cidade das mangueiras não tem esse problema. A maior ladeira que já vi na cidade é perto da minha casa e ela é mínima. Teta! Dá pra ir de um lugar ao outro na cidade sem suar. Mentira! Esse é o maior problema: o calor.

Bom, estou perto da linha do equador e aqui faz calor pra caramba. Não tenho casacos. Nem mesmo moleton! Nada de edredon e o ar condicionado está sempre no talo. Impossível ficar um dia sem suar aqui. e olha que incluo os 365 dias do anos. 366 se for bissexto. Mas assim, de manhã cedo e no fim da tarde, quando as pessoas geralmente entram e saem do trabalho, o calor é mais brando. Dá pra aturar. O que não vá impedir você de suar e chegar todo breado no trampo. Mas como se resolve isso? Simples: chuveiro. Banho. Sabonete. Nas empresas.

Não é absurdo. É só uma mudança de mentalidade. As empresas deveriam se preparar para o bem estar dos funcionários. Instalar vestiários resolveria o problema de chegar suado no trabalho. E quem aí não trocaria algumas gotas de suor por uma vida mais saudável, por um trajeto livre de carros e trânsito infernal, por um transporte não poluente e barato?

Claro que há outras questões a serem resolvidas para que a bicicleta se torne um meio de transporte eficiente nas grandes cidades. Belém tem ruas largas e quase nenhuma ciclovia. É válido comer pedaços das pistas e reservá-los para as bicicletas. É preciso também mais guardas de trânsito para domar o ímpeto selvagem dos motoristas belenenses. Bandalha aqui é regra. Trancar cruzamento, uma obrigação. Parar em fila dupla (ou tripla), um estilo de vida. Não respeitar pedestre e ciclista, mais que normal.

Então é isso. Quero ciclovias, vestiário nas ruas, trânsito mais civilizado, menos carros e segurança. É pedir muito ou vou ter que me mudar para a Suécia?

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Ilhado

Havia um homem que morava numa ilha. Uma ilha que ele mesmo criou. Vivia solitário, mas feliz com seu conforto e segurança. Tinha todas as coisas de que precisava. Não reclamava de nada. Sol quente, água fresca, comida farta, sombra pra se deitar. Não precisaria sair dela pra nada. Mas às vezes ele saía. Deixava seu porto seguro para se aventurar em águas revoltas que ele não conhecia muito bem.

Quando se lançava ao mar, o vento nunca estava a favor. O céu escurecia. Parecia que o mundo estava pra cair. Em cima de sua cabeça e abaixo de seus pés. Mesmo assim, tomado por um sentimento de bravura, enfrentava o desconhecido, que em sua imaginação era habitado por montros invencíveis. Sentia medo. Mas navegava por grandes tormentas. Mesmo sem saber muito onde chegaria.

O problema é que por mais que ele lutasse, ondas sempre o empurravam de volta a sua ilha. Até agora, as ondas sempre venceram.

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Longa jornada

Estive viajando por muitos dias e tive que me ausentar do blog por falta absoluta de tempo e de tecnologia para atualizá-lo. Por onde andei não pegava internet e às vezes nem celular.
Pra terem um ideia, na sexta-passada, para chegar em casa, eu tive que pegar um táxi até um porto, pegar uma lancha e navegar pelos rios Amazonas e Tapajós por quase 4h, depois subir numa picape e ir até o aeroporto para então embarcar num boing e voar por 65 min para depois pegar uma van e finalmente um carro de passeio que me deixou na esquina de casa. De Monte Alegre a Belém foram 10h de viagem.

Não. Foi muito mais que isso.

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Making off VT Ganso Banpara

Bom, taí o VT que gravamos com o PH Ganso para o Banpara. O cara, além de jogar muita bola, é sangue bom pra caramba.

As gravações rolaram no estádio Mangueirão, em Belém do Pará.

Curiosidade: quando terminamos de gravar, Ganso pediu pra ficar com o uniforme que fizemos para o VT, inclusive com a chuteira fuleira que eu comprei por R$ 45…

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Conexão Vivo em Belém

PROGRAMAÇÃO

Sexta, 11.06:
19h – Minibox Lunar (AP)
20h – Zarabatana Jazz convida Dayse Addario
21h – Caldo de Piaba (AC) convida Pio Lobato (PA) e Leo Chermont (PA)
22h – Sérgio Santos (MG) convida Zé Renato (RJ)
23h – Circuito Floresta Sonora (PA)

Sábado, 12.06:
18h – Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia (PA) com Álibi de Orfeu (PA)
19h – Sandália de Ambuá (PA) com Ivan Cardoso (PA)
20h – Romulo Fróes (SP)
21h – Gilvan de Oliveira (MG) convida Marco André (PA)
22h – La Pupuña (PA) convida Candiru Malino (PA)
23h – Gabi Amarantos (PA)

Domingo, 13.06:
19h – Cataventoré (MG) convida Sebastião Tapajós
20h – Olyvia Magno (PA)
21h – Nina Becker (RJ)
22h – Falcatrua (MG) convida Kid Vinil (SP)
23h – Eddie (PE)

Tudo no Píer das 11 Janelas, que todo mundo sabe onde fica.

Banda Eddie, de Recife, boa, muito boa. Recomendo.

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Em plena lua-de-mel

Toda vez que o seu namorado sai
Você vai ver outro rapaz
Olha, todo mundo está comentando
Seu cartaz tá aumentando.

Moça linda, por favor,
Guarde todo esse amor pra um rapaz
Dá vergonha de dizer
O que disseram de você, mas ouça:

Dizem que o seu coração
Voa mais que avião
Dizem que seu amor
Só tem gosto de fel
Vai trair o marido em plena lua de mel.

Reginaldo Rossi é bom, muito bom.

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Manual do Sexo Casual – Sempre alerta

Quando criança eu queria ser escoteiro. Era um tempo de inocência e da falta de noção, pois, se eu tivesse o mínimo senso, nunca iria querer me juntar com uma turma que veste um uniforme infantil com ares de militar e cor de árvore. Mas o escotismo pode nos ensinar muito mais que atravessar velinhas até o outro lado da rua (se eles ensinassem a atravessar mocinhas talvez eu reconsiderasse meu julgamento). O lema desses jovens caridosos é “sempre alerta”. E estar sempre alerta, meu caro amigo, pode determinar se você vai passar fome ou se fartará com um banquete inesperado.

Certa vez o pai de um amigo disse que saiu da missa direto pro motel com uma beata que conheceu entre Ave-Marias e Pai-nossos. Adolescente, não entendi como aquele fato poderia ter acontecido. Afinal, nada mais chato e sem clima de pegação que uma missa. Perdoem-me. Eu ainda cheirava a leite e não compreendia os mistérios desse mundo, mas como numa revelação, o “tio” desfez as dúvidas. É que num determinado momento do sacramento, os fiéis (se você tiver que pesquisar num dicionário o que é fiel ganha pontos) tinham que dar as mãos. “E ela segurou de um modo diferente na minha mão”, contou o mestre.

Anos mais tarde compreendi que para sobreviver no ambiente hostil e selvagem da solteirice é preciso estar atento a todos os movimentos. A todos os olhares. A todos os comentários. Até mesmo, a todo silêncio. Estar sempre alerta. Essa é a regra nº 2. Porque até mesmo a velinha que você vai ajudar a atravessar a rua pode ter uma filha de tirar o fôlego. Ou, no caso das moças, um rapaz que é um pão.

Tenho um amigo que já pegou mulher no metrô. De começar a dar ideia até a finalização, foram 4 estações. Isso, meus queridos, só é possível quando se está sempre alerta. Ou você acha que se o camarada estivesse desligado e pensando na morte da bezerra teria conseguido traçar o broto? Metrô é situação adversa! Fim de expediente, todo mundo cansado e doido pra chegar em casa. Aplausos para esse trabalhador da conquista.

Mas se acham que apenas os cuecas tem de estar atentos, estão enganados. A regra vale pras moças também. Tenho uma musa que passa o rodo em geral. Sapeca todo mundo. Isso porque ela está sempre alerta! Vejam bem, meus amigos, que, num desses carnavais da vida, a donzela ficou com o vendedor de salsichão no meio de um bloco. Tava na larica, correu para a barraquinha do ambulante e se encantou por seus produtos. O que estava a venda e o que ele apenas emprestava, de bom grado.

Claro que já dei meus moles e deixei a peteca cair. Todo mundo deixa. Mas aí, caríssimos, hei de lembrar que também temos nosso dia de caça. Pra sorte de toda humanidade há um número cada vez maior de solteiras que estão sempre alerta. Sinal do nosso tempo. Como quando havia sido demitido de um emprego e fui até o banco sacar meu fundo de garantia. Agência lotada, filas intermináveis, cheiro de burocracia no ar. Saí do olho da rua direto para a filial do inferno! Vamos dizer que eu estava pouco acessível neste dia. Após amargar quase 4h numa espera sem fim, fui contemplado por uma caixa muito bonita e simpática. Muito mais simpática do que deveria ser com seus clientes. Eu estava puto, deprimido, derrotado. Me sentia a pior pessoa do mundo. E isso não fez a menor diferença. Após um atendimento classe A, minha querida caixa me deu seu telefone e disse que qualquer dúvida poderia ligar pra ela, mesmo for a do horário de expediente. Liguei de noite com uma questão insóluvel: na minha casa ou na sua?

Pra você que vive papando mosca, lembre-se de estar sempre alerta para variar o seu cardápio. Quem gosta de inseto é sapo. Podemos não ser príncipes, mas podemos nos alimentar como tais. Então, em qualquer hora, em qualquer lugar, com qualquer companhia, não fique disperso, pois a pessoa que poderia te usar pode estar bem aí do seu lado. Seja na sala de aula, no velório da tia-avó, na fila do banco, na poltrona do avião, no curso de idiomas ….

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Outra vez

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Me permito te escrever

É um desafio te escrever e dizer o que sinto,  o que quero dizer de uma maneira que não vá te assustar. Sei que um passo errado pode me fazer voltar dez casas. E dez casas, nesse momento, me faria voltar para antes do início da partida. E, mesmo sabendo que posso estar dando um tiro no pé, vou me arriscar.  Porque se você é tão parecida comigo quanto eu julgo que é, vai me entender.

Porque eu faço o que quero. Da mesma maneira que você também faz.  Sem ligar muito para opiniões, resultados, consequências. Não que elas não importem, mas fazer o que se quer é se libertar. E não há nada mais gostoso na vida que ser livre. Acho que somos livres pra algumas coisas. E estamos presos a outras. Contudo cheguei a um impasse. Me encontro diante da dúvida. Explico. Explicarei o que puder explicar. Você entenda o que puder entender.

Por amar a liberdade, tenho me mantido fiel a ela por uns bons anos. Acho que insegurança e relacionamentos fracassados me conduziram a um lugar onde estar sozinho é plenitude. E por muito tempo não titubiei em olhar para os olados, não ver ninguém e me regorgizar por ser completamente livre. Mas algo tem mudado. Comecei a questionar se tenho liberdade total para estar sozinho ou se não estaria aprisionado ao medo de me permitir gostar de alguém.

Tenho todo os motivos do mundo para gostar de você. E a mesma quantidade deles para me afastar. Porque, se você é tão parecida comigo quanto eu acho que é, tem a cabeça mais perturbada do mundo. E um coração que, não sabendo se vai pra esquerda ou segue para a direita, recua.

Mas tenho um motivo especial que me faz seguir em frente. É que eu acho que você vale a pena. Simples. Mesmo sabendo de todos seus defeitos. Mesmo sabendo que dar soco em ponta de faca por machucar. Mas considero o risco calculado. Eu sempre sei por onde ando. Mesmo sabendo que esse caminho é cheio de armadilhas, quero seguir adiante. E com isso não estou falando em relacionamento. Por enquanto estou no campo do me permitir te descobrir. E gostar do que tiver que gostar. E detestar o que tiver que destestar. Para mais uma vez decidir se devo continuar. Ou se devo recuar. Mas aí já é outra história…

Por enquanto me permito escrever pra você.

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